Síndrome do Pânico

Como lidar com a Síndrome do Pânico.

Após a entrevista do Pe Fábio de Melo ao Fantástico, muitos se comoveram com a ousadia dele em admitir suas fragilidades, enquanto outros se questionaram sobre a vulnerabilidade emocional de um padre que sempre está presente nas mídias evangelizando. Diante disso, vamos analisar o que vem a ser a Síndrome do Pânico que assola 170 milhões de pessoas no mundo todo e ver qual os caminhos para superar esse transtorno.

A síndrome do pânico, na linguagem psiquiátrica chamada de transtorno do pânico, é uma enfermidade que se caracteriza por crises absolutamente inesperadas de medo e desespero. A pessoa tem a impressão de que vai morrer naquele momento de um ataque cardíaco, porque o coração dispara, sente falta de ar e tem sudorese abundante.

Existe diferença entre ansiedade normal e a que caracteriza a síndrome do pânico.  Segundo o psiquiatra Márcio Bernik, ansiedade é um estado emocional normal, mas é patológica, quando deixa de ser útil e passa a causar sofrimento excessivo ou prejuízo para o desempenho da pessoa e o transtorno do pânico é uma das formas de manifestação da ansiedade patológica.

Uma crise de pânico pode durar até 10 minutos, e seus sintomas incluem dificuldade para respirar, coração acelerado ou dor no peito, sentimento intenso de medo, sensação de asfixia ou sufocação, tonturas ou sensação de desmaio, tremores, suor, náuseas ou dor de estômago, formigamento ou dormência nos dedos das mãos e dos pés, calafrios ou ondas de calor, sensação de morte iminente, além dos próprios ataques, o sintoma principal da síndrome do pânico é o medo frequente de ataques futuros.

Uma das coisas que mais deixa quem sofre de síndrome do pânico atônito, angustiado, é o não-saber do porquê de suas crises, de seu mal estar. Quando lhe perguntam o que aconteceu antes ou o que a pessoa imagina serem as causas de seu mal estar, muitas vezes a resposta é: “Não sei, não tenho a menor ideia, estava tudo bem até agora pouco!”

A psicóloga Jacqueline de Oliveira Moreira que diz que o processo do transtorno do pânico individual inicia-se com a perda de um ideal que funciona como referencial organizador do sujeito. Frente ao colapso dessa organização, o sujeito é tomado por um excesso pulsional, que se apresenta como angústia automática referente ao desnudamento da situação de desamparo. Como o sujeito apresenta uma precariedade diante dos perigos do mundo interno, ele projeta os perigos no mundo externo, como forma de defesa e tentativa de reorganização.

A combinação de fatores biológicos e ambientais pode dar uma pista para descobrir a causa da síndrome do pânico, como: histórico familiar, anormalidades neurológicas ou cerebrais, abuso de substâncias, abstinência e situações estressantes e a depressão tem sido frequentemente relacionada ao distúrbio do pânico, assim como, o alcoolismo e a dependência de drogas.

A psicoterapia é considerada um tratamento de primeira escolha eficaz para a síndrome do pânico, acompanhado do tratamento. O psicólogo ajuda o paciente a entender suas crises e descobrir maneiras de lidar com a situação, enquanto a medicação ajuda a estabelecer o equilíbrio orgânico e funcional do sistema nervoso central equilibrando os neurotransmissores e diminuindo a ansiedade da pessoa.

Segundo o psiquiatra Márcio Bernik, é de importância fundamental a conscientização da família. Grupos de auto-ajuda, livros sobre o assunto ou mesmo a internet podem ser úteis para que os familiares entendam a natureza da doença. O mal-estar que o paciente experimenta num congestionamento é muito diferente do desconforto que qualquer um de nós possa sentir. A família deve incentivar a atividade do doente. “Eu sei que você não se sente bem, mas é importante continuar indo à escola”, ou “Se você conseguisse ir ao clube, ir trabalhar e não pedisse demissão seria melhor para sua autoestima” são estímulos importantes para os pacientes com síndrome do pânico.

Por fim, a cura da síndrome do pânico está na descoberta e na ressignificação de suas causas. Portanto o processo de autoconhecimento que leva à cura é a resposta.

Paulo Francisco Tardivo
Psicólogo / CRP 08/24249

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