Nomeação de dom Leomar Brustolin reforça a participação brasileira no debate mundial sobre catequese, Palavra de Deus e transmissão da fé.
A Igreja Católica no Brasil ganhou, nesta semana, um novo destaque no cenário internacional da catequese. Dom Leomar Antônio Brustolin, bispo de Santa Maria (RS) e presidente da Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foi nomeado membro do Conselho Internacional para a Catequese por um período de cinco anos. A informação foi divulgada pela própria CNBB em 3 de agosto de 2026 e coloca um representante brasileiro em um organismo dedicado ao estudo e ao acompanhamento das questões relacionadas à catequese.
A novidade interessa especialmente a quem busca compreender qual é o papel da Bíblia na formação dos católicos e como a Igreja pretende transmitir a fé em uma sociedade marcada por mudanças culturais e digitais. Mais do que uma nomeação individual, o episódio permite observar como a formação bíblica e catequética continua sendo considerada uma dimensão importante da missão evangelizadora. Para o leitor brasileiro, a questão central é entender o que essa participação internacional pode significar para as paróquias, catequistas, famílias e comunidades.
O que é o Conselho Internacional para a Catequese?
O Conselho Internacional para a Catequese é um organismo criado pela Santa Sé para favorecer o intercâmbio de experiências e o estudo de questões importantes relacionadas à catequese. Segundo informações oficiais do Vaticano, sua criação ocorreu em 1973, durante o pontificado de São Paulo VI, com a finalidade de contribuir para a reflexão e oferecer propostas nessa área à Santa Sé e às conferências episcopais.
Na prática, a existência desse conselho mostra que a catequese não é entendida apenas como uma atividade local de preparação para sacramentos. Ela envolve questões mais amplas sobre como crianças, jovens e adultos conhecem a fé cristã, compreendem a Sagrada Escritura e desenvolvem uma vida de participação na comunidade. Documentos do Vaticano relacionados ao organismo também destacam a importância da formação de catequistas e da busca por formas adequadas de alcançar pessoas em diferentes realidades culturais.
A nomeação de dom Leomar, portanto, tem significado que ultrapassa sua trajetória pessoal. O bispo já possui atuação diretamente ligada à Animação Bíblico-Catequética no Brasil e, segundo a CNBB, ocupou a presidência dessa comissão desde 2023. Sua experiência coloca no debate internacional questões que fazem parte da realidade das dioceses brasileiras, como a formação dos catequistas, a iniciação à vida cristã e a aproximação entre a Bíblia e a vida cotidiana das comunidades.
Por que a Bíblia é tão importante para a catequese católica?
Na tradição católica, a catequese não pode ser separada da Sagrada Escritura. A Bíblia apresenta a história da relação de Deus com a humanidade e ocupa lugar central na transmissão da fé, mas sua leitura dentro da Igreja acontece em conjunto com a Tradição e o ensinamento do Magistério. Por isso, a formação bíblica não consiste apenas em conhecer personagens, acontecimentos ou frases famosas, mas em compreender a mensagem cristã dentro do conjunto da fé.
Esse ponto ganha importância em uma época na qual muitos conteúdos religiosos circulam pelas redes sociais sem contexto ou interpretação adequada. Uma passagem bíblica pode ser retirada de seu contexto histórico e literário e receber significados que não correspondem ao entendimento da tradição cristã. Nesse cenário, a catequese pode ajudar os fiéis a desenvolver uma relação mais responsável com a Palavra de Deus, estimulando leitura, oração, estudo e participação comunitária.
A própria CNBB mantém uma Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética, cuja missão está relacionada à implementação de orientações da Igreja sobre Bíblia e evangelização na catequese. A entidade também vem preparando ações para o Mês da Bíblia de 2026, tradicionalmente celebrado no Brasil em setembro, com formação destinada aos agentes responsáveis por animar as comunidades.
Para os católicos brasileiros, isso significa que a Bíblia não deve ser vista apenas como um livro utilizado durante as celebrações. Ela pode fazer parte da oração pessoal, da vida familiar, dos encontros de grupos, da catequese e da preparação para os sacramentos. A proposta de uma formação bíblica mais consistente também ajuda a responder a uma dúvida comum: como transformar o contato com a Escritura em uma experiência que dialogue com as escolhas, desafios e responsabilidades da vida cotidiana?
O que a nomeação pode representar para a Igreja no Brasil?
A presença de um bispo brasileiro no Conselho Internacional para a Catequese ocorre em um momento de atenção especial à formação dos fiéis. No Brasil, a CNBB tem trabalhado com novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora para o período de 2026 a 2032, enquanto dioceses e comunidades procuram adaptar suas ações pastorais às transformações sociais e culturais. A catequese aparece nesse processo como uma área estratégica para aproximar a transmissão da fé das diferentes etapas da vida cristã.
Também existe uma dimensão prática para os catequistas. A CNBB programou para o fim de agosto a II Romaria Nacional de Catequistas, em Aparecida (SP), reunindo participantes para momentos de formação, celebração e espiritualidade. Entre os temas previstos estão leitura orante da Palavra, catequese, família, cultura digital, iniciação à vida cristã e formação de catequistas.
Nesse contexto, a nomeação de dom Leomar pode ser compreendida como parte de um movimento mais amplo de valorização da formação bíblico-catequética. O desafio não está somente em transmitir conteúdos religiosos, mas em formar pessoas capazes de compreender a fé e vivê-la de maneira coerente dentro de suas comunidades. Para paróquias brasileiras, isso envolve também reconhecer o papel dos leigos e catequistas, fortalecer sua preparação e criar espaços nos quais dúvidas possam ser acolhidas e discutidas.
A questão também se conecta ao futuro da evangelização. Em uma sociedade na qual crianças, adolescentes e adultos recebem diariamente uma grande quantidade de informações, a Igreja precisa encontrar formas de apresentar a mensagem cristã sem reduzir a Bíblia a frases isoladas ou conteúdos rápidos. A formação proposta pela catequese pode contribuir justamente para esse discernimento, aproximando conhecimento bíblico, oração, comunidade e vida.
A novidade desta semana, portanto, oferece uma oportunidade para olhar novamente para uma questão fundamental: como os católicos conhecem sua própria fé? A participação de dom Leomar em um conselho internacional não muda, por si só, a rotina das paróquias, mas chama atenção para a necessidade permanente de formação. Para quem deseja aprofundar a vida cristã, o caminho pode começar de maneira simples: retomar a leitura da Bíblia, buscar orientação adequada e participar das atividades de formação oferecidas pela própria comunidade. No Brasil, onde setembro é tradicionalmente dedicado ao Mês da Bíblia, essa preparação ganha ainda mais relevância. A Palavra de Deus continua sendo apresentada pela Igreja não apenas como objeto de estudo, mas como parte essencial da vida de fé.
Fontes:
Vatican News — Dom Leomar Brustolin é nomeado membro do Conselho Internacional para a Catequese
Vaticano — Informações institucionais sobre o Conselho Internacional para a Catequese
CNBB — Comissão para a Animação Bíblico-Catequética
CNBB — Iniciação à Vida Cristã e desafios atuais da catequese no Brasil