Última Audiência Geral do semestre reuniu milhares de fiéis na Praça de São Pedro, mesmo sob calor intenso, para ouvir o papa falar sobre o Concílio Vaticano II.
No dia 24 de junho, o papa Leão XIV presidiu a última Audiência Geral antes do período de recesso que o Vaticano tradicionalmente observa em julho. Mesmo sob temperaturas superiores a 35 graus, milhares de peregrinos se reuniram na Praça São Pedro para acompanhar a catequese do pontífice. O calor não afastou os fiéis, e a praça ficou cheia como costuma acontecer nesse encontro semanal, que funciona como um dos principais espaços de contato direto entre o papa e católicos vindos de diferentes partes do mundo. A12
Por que as audiências param em julho
Durante o mês de julho, o Vaticano suspende as audiências gerais, e o único compromisso público regular do pontífice passa a ser a oração do Angelus aos domingos. Essa pausa não é uma criação de Leão XIV, mas uma tradição observada por seus antecessores havia décadas, ligada tanto ao calor romano quanto à necessidade de um período de descanso na agenda intensa do papado. Para os fiéis que costumam viajar a Roma justamente para participar das audiências de quarta-feira, isso significa que julho é um mês menos indicado para esse tipo de peregrinação, embora o Angelus dominical continue acessível a quem estiver na cidade. A12
Antes de retomar o ciclo interrompido pela pausa, Leão XIV já havia dedicado uma catequese recente à sua viagem à Espanha, sinal de que o papa costuma usar as audiências também para comentar publicamente suas viagens apostólicas mais recentes. Esse formato ajuda os fiéis que não puderam acompanhar a viagem ao vivo a entender, semanas depois, qual foi o significado pastoral daquele deslocamento.
O ciclo sobre os documentos do Concílio Vaticano II
Na audiência de encerramento, Leão XIV retomou o ciclo dedicado aos documentos do Concílio Vaticano II, com foco na Constituição Sacrosanctum Concilium, texto que trata da liturgia e é considerado um dos principais documentos conciliares. Escolher justamente esse documento para fechar o semestre não parece casual: a Sacrosanctum Concilium foi um dos primeiros grandes textos aprovados pelo Concílio, na década de 1960, e lançou as bases para reformas litúrgicas que ainda moldam a forma como a missa é celebrada hoje. Jornal O São Paulo
Na catequese, o papa destacou a influência do pensamento de Santo Agostinho na compreensão da participação dos fiéis na celebração eucarística. Segundo essa leitura, participar da liturgia não é um gesto passivo, mas envolve ser instruído pela palavra de Deus, alimentar-se do que a tradição chama de mesa do Corpo do Senhor e, a partir disso, dar graças. É uma forma de explicar por que a Igreja Católica dá tanto peso à liturgia como espaço de formação da fé, e não apenas como rito a ser cumprido.
A Eucaristia como resposta às divisões do mundo
Um dos pontos centrais da catequese foi a ideia de que o mistério eucarístico funciona como um contraponto às divisões que atravessam o mundo atual. Ao recordar a fórmula segundo a qual o fiel se torna aquilo que recebe, Leão XIV reforçou uma leitura teológica antiga: a comunhão não seria apenas um gesto individual de devoção, mas um ato que constrói unidade entre pessoas diferentes, algo que o papa considera especialmente relevante em um momento de tensões políticas e sociais em várias partes do globo.
Ao final da catequese, o pontífice deixou um convite direto aos peregrinos presentes: “bebamos com fé desta fonte de vida divina e deixemo-nos transformar pelo mistério que celebramos”. A frase resume bem o tom da audiência, mais voltado à reflexão espiritual do que a declarações sobre temas de conjuntura internacional, algo que também marcou boa parte do pontificado de Leão XIV até aqui. A12
Com as audiências gerais suspensas até agosto, os fiéis que quiserem acompanhar o papa nas próximas semanas terão à disposição apenas os Angelus de domingo, transmitidos ao vivo pelas plataformas digitais do Vaticano. Quando o ciclo for retomado, é provável que Leão XIV continue percorrendo os documentos do Concílio Vaticano II, dando sequência a uma catequese que já se estende por vários meses e que tem funcionado como uma espécie de curso de formação para os fiéis mais assíduos às quartas-feiras romanas.
Fontes: A12, Vatican News, Jornal O São Paulo