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Folha Católica > Blog > Notícias > Reestruturação financeira em ciclos de crise: lógica, instrumentos e decisões que definem o resultado
Felipe Rassi
Notícias

Reestruturação financeira em ciclos de crise: lógica, instrumentos e decisões que definem o resultado

Hiro Navazaki
Hiro Navazaki Publicado em junho 26, 2026
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Felipe Rassi
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O debate em torno da reestruturação financeira corporativa ganhou uma dimensão prática e urgente no Brasil de 2026. Felipe Rassi, especialista jurídico, pondera que reestruturar não é simplesmente renegociar dívidas: é reconstruir a lógica financeira de uma organização a partir de um diagnóstico honesto de sua situação real, com instrumentos adequados ao perfil do passivo, ao setor de atuação e ao horizonte de recuperação disponível. Empresas que tratam a reestruturação como um evento pontual, e não como um processo estruturado, raramente alcançam a estabilidade que buscam.

Contents
Diagnóstico financeiro: a etapa que não pode ser apressadaInstrumentos de reestruturação e quando cada um se aplicaO papel dos credores na construção de soluções viáveisReestruturação e governança: a reconstrução que vai além das dívidas

O cenário macroeconômico de 2026 colocou um número expressivo de empresas diante dessa necessidade. Com a Selic em patamar historicamente elevado por período prolongado, o custo médio de captação das empresas brasileiras atingiu, no primeiro trimestre de 2026, o maior nível desde 2003, segundo levantamento da consultoria Tendências Consultoria Integrada. Nesse ambiente, mesmo organizações com operações sólidas passaram a enfrentar dificuldades de refinanciamento que tornaram a reestruturação financeira não uma opção, mas uma necessidade operacional concreta. 

A seguir, abordaremos os principais fatores que determinam o sucesso ou o fracasso desse processo.

Diagnóstico financeiro: a etapa que não pode ser apressada

Toda reestruturação financeira bem conduzida começa por um diagnóstico que vai além dos números superficiais do balanço. Entender a real capacidade de geração de caixa da empresa, mapear o perfil detalhado de cada obrigação, identificar os ativos que podem ser mobilizados como garantia ou alienados para redução de passivo e avaliar a viabilidade operacional do negócio no médio prazo são etapas que precedem qualquer negociação com credores.

Conforme argumenta Felipe Rassi, empresas que iniciam conversas de renegociação antes de concluir esse diagnóstico cometem um erro estratégico de consequências duradouras. Sem clareza sobre o próprio passivo, é impossível construir uma proposta de reestruturação crível para os credores. E, sem credibilidade, a negociação começa em desvantagem, com os credores mais inclinados a acelerar cobranças do que a colaborar com um plano de recuperação. O diagnóstico não é uma formalidade: é o documento que define o perímetro do possível.

Instrumentos de reestruturação e quando cada um se aplica

O mercado brasileiro oferece um conjunto relevante de instrumentos para a reestruturação de passivos corporativos, cada um com características, custos e implicações distintas. O Acordo Extrajudicial de Reestruturação de Dívidas, consolidado pelas reformas legislativas dos últimos anos, permite renegociações bilaterais ou multilaterais sem a formalidade do processo judicial, preservando a reputação da empresa e reduzindo custos de transação. Para situações de maior complexidade, a recuperação judicial oferece um ambiente de proteção temporária contra execuções enquanto o plano é construído e aprovado pelos credores.

Felipe Rassi
Felipe Rassi

Na interpretação de Felipe Rassi, a escolha do instrumento adequado depende de três variáveis fundamentais: o grau de deterioração da situação financeira da empresa, o nível de cooperação dos credores principais e a viabilidade real do negócio subjacente. Uma empresa com fluxo de caixa operacional positivo, mas com passivo financeiro incompatível com sua geração de receita, é candidata natural a uma reestruturação extrajudicial. Já uma organização com operação comprometida e credores dispersos e conflitantes provavelmente precisará do ambiente judicial para construir uma solução que vincule todos os envolvidos.

O papel dos credores na construção de soluções viáveis

A reestruturação financeira bem-sucedida raramente é um processo unilateral. Depende, em grau significativo, da disposição dos credores em participar ativamente da construção de uma solução que preserve o valor do ativo em detrimento de uma execução forçada que, na maioria dos casos, produz recuperação inferior para todas as partes. Essa lógica, bem estabelecida nos mercados financeiros mais maduros, ainda encontra resistência em parcela relevante dos credores brasileiros, especialmente os de menor porte e os com menor experiência em operações de reestruturação.

Como elucida Felipe Rassi, um dos fatores que mais evoluiu no mercado brasileiro nos últimos anos foi a compreensão, por parte dos credores institucionais, de que a execução imediata de garantias em um ambiente de estresse generalizado tende a produzir resultados inferiores aos de uma negociação estruturada. Bancos e fundos com carteiras relevantes de crédito corporativo desenvolveram equipes e processos específicos para atuar em situações de reestruturação, o que tornou o diálogo entre devedor e credor tecnicamente mais sofisticado e, em muitos casos, mais produtivo.

Reestruturação e governança: a reconstrução que vai além das dívidas

Um aspecto frequentemente negligenciado nos processos de reestruturação financeira é a necessidade de reformar, em paralelo, as estruturas de governança que contribuíram para a deterioração da situação da empresa. Renegociar dívidas sem endereçar as causas internas da crise é um processo com prazo de validade curto: as mesmas decisões que levaram a empresa ao estresse financeiro tendem a se repetir se a estrutura de controle e de tomada de decisão permanecer intacta.

Sob a perspectiva de Felipe Rassi, os processos de reestruturação mais bem-sucedidos que o mercado brasileiro registrou entre 2023 e 2026 compartilham uma característica comum: a reestruturação financeira foi acompanhada de mudanças concretas na governança corporativa, incluindo a entrada de conselheiros independentes, a adoção de controles financeiros mais rigorosos e, em alguns casos, a substituição da equipe de gestão financeira. A dívida reestruturada compra tempo. A governança reconstruída é o que determina se esse tempo será bem utilizado.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

Tag:Dr Felipe RassiFelipe Rassi compliance jurídicoFelipe Rassi crédito estruturadoFelipe Rassi direito empresarialFelipe Rassi gestão de riscosFelipe Rassi gestor jurídicoFelipe Rassi mercado financeiroO que aconteceu com Felipe RassiQuem é Felipe RassiTudo sobre Felipe Rassi
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