Nova publicação nasceu de um pedido recorrente de comunidades e chega às livrarias com espaço reservado para anotações pessoais
Depois de cerca de um ano de trabalho, a Editora Edições CNBB apresentou ao público a Bíblia Scribere, descrita como a primeira Bíblia católica de anotações produzida no Brasil. A publicação não traz uma nova tradução do texto bíblico, mas reorganiza a tradução oficial da CNBB em um formato inédito, reservando espaço nas laterais das páginas para que o leitor registre reflexões, anotações e observações enquanto acompanha a leitura. O lançamento chama atenção para uma pergunta que vem ganhando espaço entre catequistas e agentes de pastoral: por que, justamente agora, a Igreja no Brasil decidiu investir em um formato de Bíblia pensado para incentivar essa interação mais direta entre o fiel e o texto sagrado?
Por que a Bíblia Scribere nasceu de um pedido das comunidades
Segundo o diretor geral e editorial da Edições CNBB, monsenhor Jamil Alves de Souza, a demanda por uma edição com espaço para anotações já era antiga entre pessoas que participam ativamente de comunidades e grupos de leitura bíblica. A palavra latina que dá nome à publicação, Scribere, significa justamente escrever, e resume bem a proposta central do projeto: permitir que o leitor, ao lado de cada trecho da Escritura, registre no papel as impressões e reflexões que surgem durante a leitura pessoal ou comunitária. Depois de constatar que não existia até então nenhuma Bíblia católica brasileira com esse formato específico, a editora decidiu avançar com a produção.
O processo de criação da Bíblia Scribere foi conduzido de forma participativa, com a equipe da editora produzindo diferentes opções de capa e disponibilizando as alternativas em redes sociais para votação popular antes da escolha final. Segundo o coordenador de marketing da Edições CNBB, Wheverton Borges de Araújo, essa etapa de consulta pública ajudou a garantir que o resultado final dialogasse com o gosto e as expectativas do público católico brasileiro. Depois da definição da capa, a equipe seguiu para o desenvolvimento do projeto gráfico interno, cuidando para que o espaço de anotações não comprometesse a leitura fluida do texto bíblico.
O momento certo para uma Bíblia pensada para o uso pessoal
O lançamento da Bíblia Scribere não está isolado de um movimento mais amplo dentro da Igreja em torno da valorização da leitura pessoal das Escrituras. Recentemente, o próprio Papa Leão XIV dedicou parte de uma catequese ao papel do Lecionário, o conjunto de leituras bíblicas usadas na liturgia, reforçando que receber a Palavra de Deus não é apenas uma questão de conhecimento intelectual, mas de uma experiência viva que nutre a fé de cada pessoa. Esse tipo de reflexão, somado a documentos anteriores que já pediam maior familiaridade dos fiéis com a Sagrada Escritura, ajuda a explicar por que a Igreja no Brasil tem investido em materiais que tornam a leitura bíblica mais próxima do dia a dia dos católicos.
Além da Bíblia Scribere, a Edições CNBB mantém em seu catálogo outras iniciativas voltadas ao mesmo objetivo, como o material de Lectio Divina preparado para acompanhar o ciclo litúrgico do Evangelho de Mateus e os encontros bíblicos temáticos organizados durante o Mês da Bíblia. Essas publicações costumam ser usadas tanto em momentos de oração pessoal quanto em encontros de grupos de estudo bíblico nas paróquias, reforçando a ideia de que a leitura da Escritura ganha profundidade quando é acompanhada de algum tipo de registro ou reflexão escrita. A Bíblia Scribere se soma a esse conjunto de ferramentas, mas se diferencia por integrar a possibilidade de anotação diretamente ao texto oficial usado na liturgia brasileira.
O que a nova edição representa para catequistas e famílias
Para catequistas e agentes de pastoral, a chegada de uma Bíblia com espaço para anotações pode representar uma ferramenta pedagógica valiosa, já que facilita o acompanhamento de estudos bíblicos em grupo e o registro de perguntas que surgem durante encontros de formação. A edição também deve interessar a famílias que buscam incentivar a leitura bíblica entre os mais jovens, oferecendo um formato que convida à participação ativa em vez da simples leitura passiva do texto. Como a Bíblia Scribere utiliza a mesma tradução oficial adotada nas celebrações litúrgicas em todo o país, o fiel que já está habituado à linguagem ouvida na missa encontra familiaridade imediata ao abrir a nova edição em casa.
A expectativa da Edições CNBB é que a publicação amplie o alcance de um projeto editorial que existe desde 2005 com o objetivo de oferecer à Igreja no Brasil materiais de qualidade nas áreas de doutrina, teologia e liturgia. Iniciativas como essa reforçam um movimento mais amplo de aproximação entre os católicos brasileiros e o texto bíblico, incentivando não apenas a leitura, mas também a reflexão pessoal sobre cada passagem. Para quem já participa de grupos de oração ou de estudo da Palavra, a Bíblia Scribere surge como um convite a transformar a leitura silenciosa em um diálogo mais ativo e duradouro com as Escrituras.
Fontes consultadas: