O que separa uma loja de elétricos confiável de uma que vende e some? No entendimento de Fredy da Silva Gonçalves Bento, empresário e empreendedor, a resposta passa por critérios que o comprador raramente vê. Nesse sentido, o mercado de mobilidade elétrica amadurece quando a qualidade do produto deixa de ser promessa de balcão e vira padrão verificável, algo que se confere antes da compra e se sustenta depois dela.
Três sinais de que a qualidade do produto é levada a sério
O primeiro sinal é a procedência. Em uma operação de importação, o fabricante precisa ser conhecido, e o produto chega acompanhado de especificações claras sobre motor, bateria e autonomia. Quando o vendedor não consegue dizer quem fabrica a bateria, falta o dado mais importante da compra, já que ela concentra boa parte do valor e da vida útil de uma scooter ou de uma bicicleta elétrica.
O segundo sinal é a conferência antes da venda. Lojas que se organizam costumam testar cada unidade antes de colocá-la na vitrine, porque o custo de descobrir um defeito depois da entrega é bem maior do que o de encontrá-lo ainda na loja. Para o comprador, a pergunta útil é simples e pode ser feita no balcão: o que foi verificado neste veículo antes de ele chegar até mim, e quem responde se algo falhar nos primeiros dias de uso?
O terceiro sinal é a peça de reposição. Veículo sem peça disponível vira ornamento na garagem, e a pergunta sobre onde comprar o carregador ou a bateria nova deve ser feita no dia da compra, não no dia da pane. Uma loja que trabalha com reposição organizada consegue responder sobre prazo e origem das peças sem rodeios, e essa clareza diz muito sobre o cuidado com quem compra.
Profissionalização no varejo de veículos elétricos
Profissionalizar o varejo significa trocar o improviso por processo. Conforme detalha Fredy da Silva Gonçalves Bento, que é CEO da Litoral Mobilidade, uma empresa que cresce precisa organizar o que antes dependia da memória de uma ou duas pessoas: estoque, atendimento e acompanhamento do comprador depois da venda. A Litoral Mobilidade tem centro de distribuição próprio com mais de 2.000 m², mais de 40 colaboradores e estoque de aproximadamente R$ 8 milhões, e comercializa centenas de veículos elétricos por mês.
Em operações desse porte, controlar o estoque é o que impede que o comprador espere semanas por uma peça simples. O inventário atualizado mostra o que gira rápido, o que está parado e o que precisa ser reposto antes de faltar. A ironia é que muita loja investe em vitrine bonita e deixa os fundos em desordem, até o dia em que uma peça básica falta e o atendimento inteiro sente o efeito.
Há ainda a formação de quem atende. O vendedor que entende de bateria e de autonomia orienta melhor do que aquele que só repete o folheto, e a diferença aparece na primeira dúvida técnica do consumidor. Treinar a equipe para explicar o que o veículo faz e o que ele não faz evita expectativas irreais e reduz o número de reclamações depois da venda.
O futuro da mobilidade urbana depende de confiança
A confiança é o ativo que sustenta um mercado novo. Como reforça Fredy da Silva Gonçalves Bento, um setor que ainda está se formando é julgado pelos seus piores exemplos, e cada loja que entrega produto ruim ou some depois da venda atrasa a decisão de quem pensava em trocar o ônibus ou o carro por um veículo leve.
Por isso, a profissionalização não é assunto só de quem vende. O consumidor também tem papel: exigir nota fiscal, garantia por escrito e informação clara sobre assistência técnica empurra o mercado para cima. Quando o comprador passa a perguntar, a loja séria ganha vantagem sobre a que depende de preço baixo e silêncio.
O mesmo vale para a escolha entre marcas. Um preço muito abaixo da média pode ter explicação legítima, mas ela precisa ser dada com clareza ao comprador. Na visão de Fredy da Silva Gonçalves Bento, o varejo que se profissionaliza explica o que vende, de onde vem e quem responde por ele, e é essa transparência, repetida loja após loja, que transforma um nicho curioso em parte da rotina das cidades.