O Doutor Gilmar Stelo, advogado e fundador do Stelo Advogados, acompanha uma transformação que já deixou de ser uma previsão distante para entrar na rotina da advocacia: a inteligência artificial começa a assumir tarefas que antes consumiam horas de trabalho jurídico. Pesquisa de documentos, organização de informações, identificação de padrões e apoio à produção de textos estão entre as possibilidades, enquanto entidades como a OAB e o CNJ avançam na discussão sobre uso ético, segurança e governança dessas ferramentas.
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Quais tarefas podem ser transformadas pela IA?
A primeira mudança tende a ocorrer nas atividades repetitivas. Ferramentas de inteligência artificial conseguem processar grandes volumes de documentos, localizar informações, comparar conteúdos e auxiliar na organização de dados. Em escritórios com muitos processos, essas funções podem reduzir o tempo gasto em tarefas operacionais e permitir que profissionais concentrem mais atenção em atividades que dependem de interpretação.
Como destaca Gilmar Stelo, isso não significa que todo trabalho jurídico possa ser automatizado. A análise de uma estratégia processual, a avaliação das circunstâncias de um caso e a definição de uma linha de atuação envolvem contexto, responsabilidade profissional e julgamento. A tecnologia pode oferecer informações e acelerar etapas, mas a decisão sobre como utilizá-las continua exigindo participação humana.
Essa diferença é importante porque estabelece uma divisão entre automatizar tarefas e substituir profissionais. A primeira transformação já está acontecendo; a segunda envolve questões muito mais complexas. Mesmo quando uma ferramenta assume etapas operacionais, ainda é necessário avaliar resultados, interpretar informações e tomar decisões considerando as particularidades de cada situação. Por isso, a tendência mais concreta é de mudança na forma de trabalhar, com redistribuição de tarefas e maior participação da tecnologia na rotina jurídica.

O advogado terá de aprender a trabalhar com IA?
O avanço da tecnologia também modifica as competências exigidas do profissional. Não basta conhecer uma ferramenta. O advogado precisa saber formular comandos adequados, conferir respostas, identificar informações incorretas e compreender os limites do sistema utilizado. Também se torna necessário desenvolver senso crítico para avaliar quando a tecnologia realmente contribui para determinada tarefa e quando a análise humana precisa assumir o controle do processo.
A própria OAB vem estruturando iniciativas voltadas à capacitação da advocacia e ao uso ético e responsável da inteligência artificial. Em 2026, a entidade lançou um plano nacional dedicado à integração da tecnologia na profissão, com eixos relacionados à governança, boas práticas, capacitação e proteção das prerrogativas profissionais. A movimentação demonstra que a preparação para esse novo cenário não depende apenas da aquisição de ferramentas, mas também da formação dos profissionais que irão utilizá-las em suas atividades.
Para o Doutor Gilmar Stelo, referência em atuação estratégica no Direito, essa mudança amplia o conceito de qualificação profissional. O domínio técnico da legislação continua sendo essencial, mas passa a conviver com a capacidade de avaliar informações produzidas por sistemas tecnológicos e incorporá-las ao trabalho sem abrir mão do discernimento jurídico. Essa combinação tende a valorizar profissionais capazes de unir conhecimento jurídico, domínio tecnológico e capacidade de julgamento, especialmente em situações nas quais uma resposta automatizada não é suficiente para definir a melhor estratégia.
Quem responde quando a inteligência artificial erra?
Quanto maior a presença da IA nas atividades jurídicas, maior também é a necessidade de estabelecer mecanismos de controle. Sistemas podem produzir respostas aparentemente convincentes, mas incorretas, incompletas ou baseadas em informações inadequadas. No Direito, um erro desse tipo pode comprometer uma análise, uma peça processual ou uma decisão estratégica.
Por isso, como pontua o Doutor Gilmar Stelo, a utilização profissional da tecnologia exige conferência humana. A responsabilidade não desaparece porque determinada tarefa foi realizada com auxílio de uma ferramenta. O advogado continua precisando verificar informações, fontes, argumentos e documentos antes de utilizá-los em uma atividade profissional.