O empresário do setor cemiterial e funerário, Tiago Oliva Schietti, explica que a sustentabilidade deixou de ser um diferencial opcional e passou a ser uma responsabilidade concreta de qualquer operação cemiterial que se pretenda séria. Os cemitérios, por sua natureza e dimensão, são espaços com potencial significativo tanto de impacto ambiental negativo quanto de contribuição positiva ao equilíbrio ecológico urbano e rural.
A forma como esse potencial é gerido define não apenas a reputação de uma instituição, mas o seu papel no ecossistema da comunidade que serve. Continue lendo para entender como a adoção de práticas sustentáveis nos cemitérios brasileiros está avançando, quais são os maiores desafios do setor e por que defendem que essa agenda é tão urgente.
O que torna um cemitério verdadeiramente sustentável?
A resposta para essa pergunta vai muito além da presença de árvores e jardins bem cuidados. Um cemitério verdadeiramente sustentável precisa incorporar a lógica ambiental em cada camada de sua operação, desde o planejamento da ocupação do solo até a escolha dos materiais utilizados nos sepultamentos e na manutenção das áreas comuns. A sustentabilidade funerária, nesse sentido, é um sistema que articula gestão ambiental, responsabilidade social e eficiência operacional de forma indissociável.
Como observa Tiago Oliva Schietti, um dos primeiros passos para a sustentabilidade em cemitérios é o diagnóstico honesto dos impactos ambientais gerados pela operação. Esse mapeamento inclui a análise da qualidade do solo e do lençol freático nas áreas de sepultamento, a avaliação do consumo de água e energia, e o levantamento das substâncias utilizadas no preparo dos corpos, muitas das quais são potencialmente agressivas ao meio ambiente quando não manejadas com critério.
Cemitérios como espaços verdes urbanos: Uma oportunidade subutilizada no Brasil
Grande parte dos cemitérios brasileiros ocupa extensas áreas em zonas urbanas e periurbanas, representando muitas vezes os últimos fragmentos de verde disponíveis em regiões densamente construídas. Esse dado, encarado pela ótica da sustentabilidade, revela um potencial enorme ainda amplamente inexplorado. Um cemitério bem arborizado, com planejamento paisagístico adequado e gestão ecológica das espécies plantadas, pode funcionar como um pulmão verde para a comunidade ao redor, contribuindo para a regulação térmica da cidade e para a preservação da fauna local.

Tiago Oliva Schietti considera que transformar cemitérios em espaços ecologicamente ativos é uma das fronteiras mais promissoras da sustentabilidade funerária no Brasil. Isso significa pensar o planejamento do espaço não apenas em função das necessidades de sepultamento, mas também como um ecossistema que abriga biodiversidade local e oferece à comunidade um ambiente de contemplação e contato com a natureza.
Qual o real impacto ambiental de cada escolha?
Essa é, talvez, a pergunta mais frequente entre famílias que buscam alinhar suas decisões de planejamento funerário a valores ambientais. A cremação é frequentemente percebida como a opção mais sustentável, em parte pela ausência de caixões de madeira convencional e pela menor demanda por espaço físico nos cemitérios. Mas essa percepção merece ser analisada com mais profundidade, pois o impacto ambiental da cremação depende diretamente da tecnologia utilizada e da fonte de energia que alimenta os fornos.
Segundo Tiago Oliva Schietti, empresário do setor cemiterial e funerário, tanto o sepultamento convencional quanto a cremação têm impactos ambientais reais que precisam ser considerados e minimizados com critério técnico. No caso dos sepultamentos, o uso de caixões produzidos com madeira certificada e a substituição de produtos de embalsamamento por compostos biodegradáveis representam avanços concretos. Nos crematórios, a adoção de filtros eficientes, a gestão das emissões de gases e a busca por fontes de energia mais limpas são caminhos igualmente essenciais para reduzir a pegada ambiental das operações.
A sustentabilidade funerária como compromisso com o futuro das comunidades
A incorporação de práticas ambientalmente responsáveis nos cemitérios e nas funerárias brasileiras não depende apenas da boa vontade dos operadores. Ela exige regulamentação clara, incentivos para as boas práticas, capacitação técnica das equipes e um diálogo permanente entre o setor privado, os municípios e os órgãos de controle ambiental. Esse é um ecossistema de responsabilidades compartilhadas que nenhum agente isolado tem condições de construir sozinho, razão pela qual o papel de entidades como a Acembra Sincep é tão central nessa agenda.
Tiago Oliva Schietti resume que a sustentabilidade não é uma pauta de modismo nem um custo adicional a ser evitado. É uma condição para a longevidade das operações e para o fortalecimento da confiança das famílias e das comunidades nos serviços prestados. Organizações que antecipam as exigências ambientais e as incorporam como parte de sua identidade constroem uma relação muito mais sólida com todos os seus públicos ao longo do tempo.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez