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Fiagro-FIP ganha tração como via de participação societária no agronegócio, avalia ID CTVM

Hiro Navazaki
Hiro Navazaki Publicado em agosto 13, 2026
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Classe de fundos que investe em capital de empresas do setor, e não apenas em direitos creditórios, acompanha a captação recorde dos Fiagros em 2026

Os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais, os Fiagros, vivem um dos ciclos de captação mais expressivos desde sua criação. Entre janeiro e maio de 2026, a indústria captou R$ 5,8 bilhões, alta de 226,9% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior, enquanto o número de fundos operacionais avançou 42% em um ano, de 102 para 145 veículos ativos, e o patrimônio líquido consolidado alcançou R$ 44,7 bilhões. Dentro desse universo, o Fiagro-FIP, subclasse que investe em participações societárias de empresas do agronegócio em vez de direitos creditórios ou ativos imobiliários rurais, vem ganhando espaço como via de acesso a capital de crescimento para companhias do setor, tema acompanhado de perto pela ID CTVM em sua atuação como administradora fiduciária de fundos multiclasse.

Participação societária muda a lógica do investimento

Diferentemente do Fiagro-FIDC, que compra direitos creditórios originados por empresas do agronegócio, e do Fiagro-FII, voltado a ativos imobiliários rurais, o Fiagro-FIP adquire participações no capital social de empresas ligadas à cadeia produtiva agroindustrial, desde startups de agtech até processadoras e distribuidoras já consolidadas. O retorno do investidor nesse tipo de estrutura depende da valorização das empresas investidas ao longo do tempo, e não do recebimento de juros previsíveis, o que aproxima a lógica do Fiagro-FIP da de um fundo de participações tradicional, aplicada especificamente ao universo do agronegócio.

Segundo Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, o avanço do Fiagro-FIP reflete a maturidade crescente do capital destinado ao agronegócio brasileiro.

“O agronegócio deixou de ser financiado apenas via crédito. Hoje existe apetite real por capital de participação em empresas do setor, o que amplia as opções disponíveis para companhias que querem crescer sem se endividar”, avalia o executivo.

Empresas de diferentes portes podem acessar o instrumento

O Fiagro-FIP atende tanto empresas de menor porte em fase de expansão, que buscam capital para investir em tecnologia e ampliar capacidade produtiva, quanto companhias já consolidadas que utilizam o instrumento para financiar processos de fusão e aquisição dentro da própria cadeia do agronegócio. Essa flexibilidade de uso amplia o público de empresas que podem se beneficiar do instrumento, ao mesmo tempo em que exige do gestor do fundo capacidade de avaliar teses de investimento com perfis de risco e retorno muito distintos entre si.

A ID CTVM é habilitada pela CVM e pela ANBIMA para exercer administração fiduciária, custódia qualificada e controladoria de fundos estruturados, o que inclui veículos de participação societária voltados ao agronegócio. A companhia soma mais de R$53,48 bilhões em ativos sob administração e custódia, distribuídos entre diferentes classes de fundos, incluindo estruturas que combinam crédito e participação dentro do mesmo ecossistema de investimento agrícola.

Cerca de 74% da carteira sob administração da companhia foi constituída organicamente dentro da própria instituição, o que, segundo a ID CTVM, reflete a capacidade de acompanhar de perto ativos ilíquidos e de ciclo de maturação longo, características centrais de fundos de participação societária no agronegócio.

Diversificação de classes deve continuar avançando

Para Balassiano, a tendência é que as diferentes classes de Fiagro, FII, FIDC e FIP, continuem crescendo de forma complementar.

“Cada classe atende a uma necessidade diferente da cadeia produtiva. O FIDC financia o giro operacional, o FII investe em terra e estrutura física, e o FIP entra no capital das empresas. É um ecossistema que se completa”, pondera o diretor da ID CTVM.

Setores como biotecnologia agrícola, insumos de precisão e plataformas digitais voltadas ao produtor rural têm atraído atenção especial de gestores de Fiagro-FIP, dado o potencial de crescimento acelerado combinado com a demanda estrutural do agronegócio brasileiro por inovação tecnológica ao longo da cadeia produtiva.

Capital de participação deve seguir em expansão no setor

A expectativa entre especialistas é que o Fiagro-FIP continue ganhando espaço nos próximos anos, à medida que mais empresas do agronegócio brasileiro reconhecem o instrumento como alternativa de capital paciente para financiar expansão e consolidação setorial. Para administradores fiduciários, a capacidade de acompanhar ativos ilíquidos e de difícil precificação, características comuns a fundos de participação, deve seguir como um diferencial relevante na estruturação desse tipo de veículo. Family offices e investidores institucionais com apetite por exposição direta ao crescimento do agronegócio brasileiro figuram entre os públicos que devem sustentar a demanda por essa classe de fundos nos próximos ciclos de captação.

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